Economia de água também na lavanderia

Edifícios podem reduzir em até 30% o consumo e incentivar o uso racional utilizando máquinas adequadas e ciclos corretos de lavagem

José Ferraz é síndico de um edifício com 60 unidades do tipo loft, na zona sul da cidade, que possui uma lavanderia coletiva no andar térreo para uso dos moradores. Como o assunto do momento é o uso racional de água – mesmo com a chuva, o nível do Sistema Cantareira, que abastece 6,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo, continua caindo (atingiu 11,7% no dia 6 de outubro) –, as lavanderias se transformaram em alvos dos gestores de prédios com lavanderias coletivas.

No prédio de Ferraz, a área contava com máquinas de lavar e secar roupas de uso doméstico, que, segundo ele, quebravam com frequência. “O custo com manutenção e troca era enorme, não havia benefício, tampouco economia de água.”

Preocupado, Ferraz começou a avaliar as possibilidades de redução do consumo de água no condomínio e como ter uma lavanderia com uso mais racional da água. “Conheci equipamentos mais econômicos e decidi trocar as máquinas por modelos indústrias, que trouxeram cerca de 30% de economia de água em aproximadamente um ano.”

O prédio alugou quatro máquinas indústrias de lavar e quatro de secar. Pelo serviço, paga R$ 2.200 por mês, incluindo manutenção. “A programação da máquina não permite o desperdício, são duas opções de lavagem que controlam o nível de água. Isso é importante, pois o morador não se preocupa com isso”, diz. “Pensamos em mais economia, o prédio vai armazenar em um tanque a água das máquinas e usará para a lavagem das área comuns.”

Oportunidade. Atento às demandas do mercado e ao aumento no número de apartamentos compactos na cidade, o empresário Allan Zylberstajn começou a apresentar às construtoras um modelo de máquina de lavar e secar industrial, que poderia ser usado nas lavanderias coletivas dos edifícios residenciais.

Desde quando começou o negócio, há dois anos, a intenção já era trazer para o mercado um produto econômico, que ficou mais necessário diante da crise hídrica. Segundo ele, uma lavadora residencial com capacidade para cinco quilos de roupas gasta entre 120 e 130 litros de água por ciclo enquanto a industrial para 10 quilos gasta 70 litros por ciclo. “Em um edifício com 100 apartamentos, se cada morador realizar apenas dois ciclos de lavagem por semana, o prédio economizará 480 mil litros de água por ano”, alega o empresário.

As máquinas norte-americanas importadas pela empresa de Zylberstajn, a Smart Lav, são da marca Speed Queen e possuem também a opção de a secadora ser a gás, o que também reduz o consumo de eletricidade.
Atendendo a cerca de 60 condomínios na capital paulista e em outras cidades de São Paulo e do País, a empresa trabalha com o sistema de venda, aluguel – o utilizado pelo síndico José Ferraz – e pay per use.

Eficiência. O síndico Henrique Prado Torres, de 37 anos, também adquiriu máquinas mais econômicas para a lavanderia do edifício que administra, na região da Consolação, na capital. O prédio tem unidades de 45 metros quadrados. Na lavanderia coletiva há duas máquinas industriais de lavar e secar conjugadas, mais três de lavar e uma secadora residenciais. Até novembro de 2013 as máquinas eram todas residenciais.

“O prédio tinha um funcionário que trabalhava na lavanderia. Com a compra das máquinas industriais, dispensei o funcionário, pois os modelos têm ciclos de lavagem que evitam o desperdício e, como isso, reduzi os custos mensais.”

Torres alugou as duas máquinas, mas tem a proposta de comprá-las. O condomínio paga por elas R$ 1.500 mensais. “Notei redução no consumo. Por isso, pretendo deixar na área apenas as industriais”, diz.

As lavanderias coletivas estão em todos os empreendimentos Maxhaus, como o prédio de Torres. De acordo com a gerente de incorporação, Aline Fortunato, cada edifício tem uma lavanderia dimensionada de acordo com a necessidade.

Em função do tamanho do empreendimento, as áreas de lavanderia variam de 20m² a 70m². “Calculamos a quantidade de máquinas conforme o número de unidades. Um jogo de máquina (lava + seca) para cada 50 apartamentos”, diz Aline.

Nos empreendimentos da incorporadora os modelos são industriais. “As máquinas que utilizamos no Maxhaus são ecológicas e consomem cinco vezes menos energia e três vezes menos água que as tradicionais. Elas também possuem controle de tempo, temperatura e velocidade de rotação”, diz.

Fonte: Estadão